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    Kelly Bishop revisita a carreira e fala de sua amizade com Lauren Graham

    A estrela de Gilmore Girls contou sobre seu mais recente papel em Mrs. Maisel e qual namorado da Rory ela namoraria.

    Data:

    Originalmente escrito em inglês por Alyssa Lapid e publicado em 17 de março de 2022.

    Saeed Adyani / Netflix
    Kelly Bishop como Emily Gilmore em Gilmore Girls: Um Ano para Recordar, 2016

    Aos 28 anos, a matriarca elitista Emily Gilmore de Gilmore Girls já estava casada com Richard e estava a caminho de conquistar a alta sociedade de Connecticut. Mas a vida aos 28 anos para Kelly Bishop, atriz que a interpretou, era bem mais simples. Ela não apenas usava conjuntinhos sexy que fariam Emily agarrar seu colar de pérolas com força, como também planejava largar seu marido.

    Depois de ceder às pressões da sociedade para se casar antes dos 30, Bishop rapidamente percebeu que havia cometido um erro. “Eu realmente não estava apaixonada por ele, e ele só estava apaixonado pela minha conta bancária”, disse a mulher de 78 anos ao Bustle sobre seu casamento de três anos.

    Mas, apesar dos conflitos conjugais, Bishop se lembra de ter passado um tempo “fabuloso” morando e trabalhando em Nova York. “Eu estava fazendo o melhor tipo de trabalho que alguém pode fazer: estava dançando na Broadway.” Depois de se mudar para lá aos 18 anos, a nativa do Colorado — que na época usava seu nome de batismo, Carole Bishop — conseguiu papéis nas montagens de On The Town, Golden Rainbow e Promises, Promises. Sua vida girava em torno da dança: ela se apresentava oito vezes por semana e farreava até as 3h da manhã. Mas quando se aproximava dos 30 anos, Bishop estava ciente de que seus melhores anos de dança estavam acabando, então ela decidiu atuar.

    Três anos depois, quando tinha 31, que Bishop conseguiu seu primeiro papel principal como Sheila em A Chorus Line; após o Tony Awards de 1976, Bishop voltou para casa em seu apartamento no Upper West Side com um troféu e um nome artístico recém-lançado: Kelly.

    A mudança pode ter sido por razões burocráticas — havia outra Carole Bishop na indústria — mas foi assustadoramente profética. “Há um grupo nosso que andava junto e fazia personagens diferentes”, lembra Bishop. Kelly era uma delas, que se imaginava como “uma garotinha rica e arrogante”. Mais de duas décadas depois, ela deixaria uma marca indelével em Hollywood por interpretar a versão adulta disso.

    A seguir, Bishop fala sobre se reunir com Amy Sherman-Palladino no set de The Marvelous Mrs. Maisel, como a estrela da Broadway Elaine Stritch lhe deu coragem para cantar e com qual dos namorados de Rory Gilmore ela teria namorado.

    Leve-me de volta a 1972, quando você tinha 28 anos.
    Deus do céu.

    Você tinha um estilo?
    Estávamos entrando na era disco, então, se você saísse, usaria hot pants. Você ao menos sabe o que é isso?

    Sim! Shortinho, certo?
    Eles eram de cetim ou algo totalmente fabuloso. E, a essa altura, usávamos as botinhas brancas da Courrèges e muitas vezes com a barriga à mostra. Eu era dançarina e tinha 28 anos, então você podia se safar com tudo isso porque seu corpo está ótimo.

    Muito cabelo e cílios. O que realmente gostávamos era falso. Custava uma grana, mas mesmo que seu cabelo fosse comprido, você o puxava para cima em um rabo de cavalo falso teria 25 cm de cabelo humano fabuloso. Vivemos bons tempos.

    Martha Swope / Billy Rose Theatre Division / The New York Public Library.
    Kelly Bishop e elenco durante cena do musical da Broadway, A Chorus Line.

    Sua situação de vida era igualmente fabulosa?
    Bem, nem tanto. Eu me casei alguns anos antes. Por causa da geração a qual pertenço e das normas do que era certo e errado, decidi me casar. Eu estava saindo com um rapaz — na verdade, estávamos meio que morando juntos — e pensei que tinha que me casar antes dos 30, porque se você não casasse, era uma solteirona. Agora, é ridículo pensar em considerar que eu era uma dançarina profissional na Broadway. Não é como se eu fosse uma solteirona. Mas são os costumes com os quais fui criada. Então pensei: “Bem, agora eu tenho que encontrar um marido e posso muito bem me casar com o cara que estou saindo”.

    E aí eu estava a ponto de perceber que cometi um erro terrível. No que diz respeito à minha vida, não foi tão bom. Quando vejo mulheres que estão chegando na casa dos 40 dizendo: “Ainda não me casei”, respondo: “Tudo bem. Você apenas pulou o péssimo primeiro casamento de qualquer maneira.”

    Do que você mais se orgulhou de realizar aos 28 anos?
    A ideia de ser dançarina na Broadway em uma peça de sucesso foi muito boa. Foi muito legal. Ainda é. Era isso, apenas sendo uma dançarina profissional. Me deixou orgulhosa.

    Você esteve em várias peças da época. Acha que mudar para a atuação estava ao seu alcance aos 28 anos?
    Não cheguei a pensar nisso. Eu queria deixar o coro mas meu problema era que eu não era uma cantora. Eu não tinha uma boa técnica vocal e sabia disso. E se você vai ser a protagonista de um musical, você terá uma música.

    O momento mágico aconteceu quando eu vi essa montagem de Company no Actors Fund Benefit, e tinha a Elaine Stritch. Lembro que ela veio pela direita do palco, foi direto em direção à plateia e cantou “The Ladies Who Lunch”. Cara, foi um espetáculo. Foi um grande número – ela ganhou um Tony por isso. Mas Elaine Stritch não era uma boa cantora no quesito extensão vocal. E eu olhei para ela e pensei: “Eu posso fazer isso! Eu posso fazer isso!” Esse foi o meu momento.

    [Posteriormente], quando eu fazia A Chorus Line, todas as pessoas importantes vinham nos ver nos bastidores. E eu me lembro da noite em que Elaine Stritch veio e começamos a conversar. Não me referi daquela forma porque não queria insultar sua voz, mas contei a ela sobre vê-la nesse papel e foi isso que me deu coragem para sair do coro.

    Associated Press
    Edward Herrmann, Kelly Bishop, Shirley Knight e Sammy Williams com suas estatuetas do Tony Awards no Shubert Theater, em 1976.

    Sua música “At the Ballet” em A Chorus Line foi baseada em sua audição para o papel! Como se sentiu naquela época ao apresentar uma minibiografia?
    Quando li o roteiro, eu disse: “Foi exatamente o que eu disse. Esta é apenas a transcrição. Esta sou eu!” Percebi que minha história era completamente igual à da Sheila e, na verdade, eram citações literais. Então fiquei muito lisonjeada porque não me achava tão interessante.

    Eu tive que dizer à minha mãe quando ela veio ver o espetáculo: “Quando você ver minha personagem, vai reconhecer muito. Eu só quero que você saiba que isso é teatralizado.” Ela estava emocionada. É claro, ela estava muito orgulhosa de mim.

    Em uma entrevista, você mencionou que seu relacionamento com sua mãe era mais parecido com o de Lorelai e Rory em Gilmore Girls.
    Completamente. Ela falava comigo como uma amiga da sua idade, e às vezes eu olho para trás e penso: “Meu Deus, aprendi muitas coisas que provavelmente era muito jovem para aprender”. Mas eu parecia ser sofisticada o suficiente para lidar com tudo. Ela foi perfeita comigo, e isso é uma das melhores coisas sobre ela.

    E é por isso que mesmo na letra de “At The Ballet – “Quando eu era uma garotinha e disse para minha mãe: ‘Serei bonita quando crescer?’” Isso aconteceu comigo. E ela olhou para mim e disse: “Não. Você será muito atraente. Você será diferente e terá muito talento.” E eu estava sentada lá pensando, “Mas eu quero ser bonita!” Esse é o exemplo perfeito da minha mãe. Fiz uma pergunta, obtive uma resposta.

    Mas seu relacionamento com sua mãe era como o de Lorelai e Emily. Minha pobre mãe não conseguia fazer nada direito durante todo o tempo em que eu crescia. Isso foi tão triste. Isso realmente me incomodou. Então, quando Gilmore Girls veio, eu entendi esses personagens completamente.

    Mrs. Maisel é como uma reunião de Gilmore Girls. Você conseguiu encontrar algum antigo colega de elenco no set?
    Não. Porque eu fiz só dois episódios. Atualmente, as únicas pessoas de Gilmore Girls com quem eu socializo regularmente são [a criadora] Amy [Sherman-Palladino] e Lauren Graham. Ainda sou próxima dela, mas só isso. Sou muito amiga do Yanic Truesdale e era muito amiga do Ed Herrmann, mas as únicas pessoas que vejo socialmente são Lauren e Amy.

    Como fã de Gilmore Girls, preciso perguntar: com quem você namoraria aos 28 anos – Logan, Dean ou Jess?
    Provavelmente Dean. Porque ele era fofo! Moço alto e bonito! E ele era legal. Eles eram todos ótimos, e todos faziam sentido, mas definitivamente seria Dean.

    Jared [Padalecki] era como seu personagem?
    Ele é um cara sincero e gentil. É profissional, bondoso e não se acha estrela. Ele é apenas um bom moço. Eu acho que acertaram quando o escalaram.

    Li que você “queria ter 30 anos” quando tinha 12.
    Sim! Vou fazer uma pequena autoanálise aqui. O que eu mais queria o controle da minha própria vida. Mesmo tendo uma mãe maravilhosa – meu pai era outra coisa e a vida familiar era tão turbulenta – eu achava que crescer me daria liberdade para tomar minhas próprias decisões.

    De alguma forma, ter 30 anos significava que ninguém mais poderia me tratar como uma criança. Especialmente minha geração – ainda acontece, eu sei – mas quando os homens conhecem uma jovem, eles se referem [a ela] como “querida”. “Sim querida. Sim, docinho.” E eu sempre achei isso tão ofensivo. Eu achava, que quando eu chegasse aos 30, ninguém iria me chamar de “querida” sem que eu dissesse algo de volta para eles. Então era isso que significava ter 30 anos; era uma representação de ser um adulto independente.

    E sobre parecer jovem? Isso a preocupava quando você estava chegando aos 30?
    Não, não, não, não. Sempre me ressenti [ou invejei] o fato de que, na Europa, as atrizes podem envelhecer, parecer mais velhas e ainda serem reverenciadas e trabalharem. Completar 30 anos, isso não me incomodou porque eu nunca quis que ninguém pensasse que eu era mais jovem do que eu era.

    Por que mentir sobre minha idade? Digamos que eu seja mais jovem e todos falem: “Deus, ela parece terrível para seus 20 anos”? Se você vai mentir sua idade, diga que você é 10 anos mais velha e todo mundo vai achar que você está fabulosa.

    Que conselho você daria ao seu eu de 28 anos?
    Vá em frente e deixe seu marido imediatamente. O mais rápido possível. Antes que todas as suas economias acabem.

    Não, eu estava indo bem. Eu vou te dizer o que eu provavelmente faria era ter mais confiança [em mim mesma]. Acredite que você é mais desejável, mais digna do que pensa que é. Trate-se como sua melhor amiga em todos os sentidos. Se o seu melhor amigo estiver fazendo algo realmente inapropriado, diga a ele. Se o seu melhor amigo está fazendo algo maravilhoso, torça por ele. Seja sua própria melhor amiga. Tome cuidado. Dê tempo a si mesma.

    Esta entrevista foi editada e condensada para maior clareza.

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    Via:Bustle
    Gilmore Girls Brasil
    Gilmore Girls Brasilhttp://gilmoregirls.com.br
    Equipe do site brasileiro com o maior conteúdo dedicado à série Gilmore Girls.